sábado, 7 de março de 2015

A poesia sente


hoje a poesia me acordou
para contar
que morreu a moça grávida 
na porta do hospital sem médico
e que o malnascido bebezinho
não terá leite.
nem peito, nem ninho.
hoje a poesia me acordou
para contar
que a senhora vai tardar
a chegada no trabalho
porque o ônibus da hora
se não faltou, ou quebrou
ou demora.
hoje a poesia me acordou
para contar
que uma criança ficou
sem aula e outra foi mal
na prova. falta cimento
para a construção e
para o resto, argumento.
hoje a poesia me acordou
para contar
que faltou luz na cidade
e o casal da fita tem
the end com problema:
ser feliz para sempre
cancelado o cinema.
hoje a poesia da vida
me acordou corroída.
nela surge uma vontade
que morre sem o incentivo
que faz da rima uma ação.
e tudo que nos falta hoje
sobra em corrupção.

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