terça-feira, 5 de novembro de 2013

Vida de alpendre

Eu brincando de desenhar com parcos recursos

Há perigos no ter a alma no alpendre,
mas é bem ali que está o viver.

Do alpendre
ideias se podem adentrar
em cozeduras de mim.
Do alpendre
elas se podem espraiar,
ir além do jardim.

Do alpendre a alma se prende e chora.
Do alpendre ela se engrama e ri.

domingo, 3 de novembro de 2013

Depois do quase se perder

 

Foto minha: Palacio de los Leones en la Alhambra
 
Carrego,
no dedo que indica,
uma fita vermelha
em nó de cetim.

Não é por acaso.

É mesmo pro caso
de eu me esquecer,
de novo,
de me lembrar
de mim.

sábado, 2 de novembro de 2013

Encontro a guincho


Desconfiei.
As rodas andavam
a me alimentar inveja
da velocidade dos jabutis.

Travaram.

Puseram-me para o lado
de fora da caixa
e me deram o tempo do zelo
por gestos
e verbos
na calçada da espera.

Por testemunhas, 
as estrelas 
de uma ordem inteira 

de gente da lei.