sábado, 26 de junho de 2010

O que é Sergipanidade?

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Foto: Aglacy Mary

Sergipanidade é o conjunto de singularidades que caracteriza o modo sergipano de lidar com o seu patrimônio — a língua, a arte, a fé, o trabalho, as festas —, bens comuns compartilhados com outros grupos. O que somos está impresso em nossa alma e se expressa através da geografia que nos define, da mistura étnica que nos deu origem, da história que nos constitui, de tudo o que construímos e através daquilo pelo que nos encantamos.
O grande desafio a esse estado de espírito está na condução do natural interesse pelo outro. Em um inevitável contexto de globalização, a comunicação massiva aproxima muito os diferentes, e isso provoca identificações. Garantir uma identidade hoje significa construir formas de diálogo entre a nossa cultura tradicional e outras tão diversas. Não é prudente fechar os olhos para essa realidade, no mínimo porque se paga a pena de ver perder-se a riqueza que há na troca. É fundamental, porém, que se preserve e conheça a própria história, as próprias raízes, o que nos mantém únicos na rica paleta de cores, embora em constante processo de identificação.
Penso que o advento do turismo como atividade financeira dá força à ideia de que, só na (re)descoberta de suas qualidades, o sergipano pode encontrar-se saudavelmente com o que vem de fora. Nossos produtos culturais mais genuínos são o que nos torna interessantes; reconhecê-los é o que deve consolidar um nível de autoestima tal que anule o desejo de ser o outro e a dependência de ser aprovado por ele.
Flexibilidade é palavra-chave nessa temática, opondo-se ao conceito de uma identidade rígida. Que nos mantenhamos lúcidos para lidar com todo esse movimento relacional não nos perdendo das nuanças que nos distinguem. 

Aproveite o embalo e leia também A renda irlandesa é sergipana e Amendoim cozido agora é patrimônio de Sergipe.

5 comentários:

  1. Sergipanindade para quem não é sergipano é como se fosse uma ameba pseudônima que ao infestar na pessoa que possui outras amebas, se tranforma no meio comum o descomum que não deixa de ser comum... enfim, seria uma pessoa diferente duas vezes no mesmo lugar =)

    beijos Aglacy!
    Aimée Resende

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  2. Penso, Aimée, que cada vez mais vivemos esse movimento ameboide. Mesmo não saindo do lugar onde estão nossas primeiras histórias.

    Grata pela leitura.

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  3. Querida Aglacy, que saudades de ti! Acredite, não só eu, mas também Isadora e Felipe. Amei tudo no seu blog. Já estou seguindo e tambem o twitter. Já inclusive recomendei seu blog a quem interessar-se por saber mais sobre aracaju/sergipe e suas pessoas. Sergipanidade, penso, é muito tambem o modo singular de lidar com o outro. bjoss

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  4. Eliane! Que bom reencontro. Que bom saber que viu algo interessante por aqui. Agora estamos reconectadas.
    Beijos para sua linda dupla.
    Seguindo você no twitter também.

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  5. Boa noite Aglacy.
    Como está tudo bem?
    Tenho desenvolvido no grupo escoteiro, projeto voltado para fazer com que os jovens do grupo escoteiro, se identifiquem com nosso estado e como consequência se reconheçam sergipanos.
    Este trabalho esta no seu terceiro ano. No primeiro trabalhamos na sede do grupo, apresentando um vídeo e uma exposição feita pela pesquisadora Mariana Galvão. Ano passado realizamos uma visita a laranjeiras, inserindo também a questão da consciência negra. Este anos pretendemos realizar 06 visitas a cidades do nosso estado, iniciando por Aracaju e como ponto de partida uma nova apresentação da pesquisadora Mariana Galvão.
    Venho por meio deste pedi permissão para usar este texto, como introdutório do projeto.
    Desde já agradeço pela oportunidade.

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