sábado, 19 de março de 2011

Carta aberta a Aracaju

Tarde no Mercado


Neste dia em que lhe escrevo
Penso em você 
Na lembrança de um bairro
Muito cantado na minha infância                                              
Morar lá não morei 
Mas lembro de suas cadeiras na porta
De seus meninos na rua 
Do pipoqueiro e sua buzina
Dos gritos do moço do picolé 
Da gaita do homem do quebra-queixo
Dos beijus no cesto daquele garoto 
Eita lembranças doces 
Com discreto sentir salgado
De uma lágrima sorrateira 
Que diz dos bons tempos
De uma vida que vivi 
No sentimento nostálgico
De ouvinte aplicada 
Reclamar não reclamo 
Porque herdei
Conversa na porta
Picolé e pipoca 
Quebra-queixo e beiju
Afinal, do Santo Antônio 
Até a Porto da Folha
Foi só um pulo 
E desse ponto em que me vi 
Só lhe vi crescer, cidade minha
Vi se espalhar seu comércio 
Renascer seu Mercado
Estourar seu São João 
Nas estrelas de muitas sanfonas
Vi pipocarem hotéis e pousadas 
Acolhendo turistas
Vi a orla mais linda 
E as pontes cruzando gentes
Vi o povo admirar o mangue 
Na pedra mais nobre da Nossa Coroa
Coroa do Meio e de luz 
Ainda desejo, cidade querida 
Um tanto de chão de pedra e piçarra
A se erguer no chute da bola 
Do pé do moleque
E a grandeza dos seus areais 
Mas festejo esta imensidão de asfalto
Que vai abrindo seus olhos 
Para novos, ousados e lindos horizontes.

Um comentário:

  1. Oi Aglacy.
    Estou de volta, eu acho. Sabe, às vezes me dá uma saudade de Aracaju...
    Aproveito para agradecer mais uma vez. Adorei ter "A casa de Manuela" publicado no Cinform.
    Abraço e um bom fim de semana.

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