quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um dia n'A Casa do Zé

Veja no facebook, minhas mal tiradas fotos


ANTES DE TUDO

Sábado, 11 de dezembro de 2010. Cheguei à TV Aperipê por volta das 11h30. O pessoal estava lá desde as 9 horas. Na verdade, às 9 da noite anterior já havia trabalho para a montagem... Sendo mais fiel à verdade, na sexta-feira João Ricardo já se comportava como produtor do esquema para a montagem da estrutura que serviria à gravação de um show do grupo musical A Casa do Zé. O dia prometia acabar à noite.

As Marias Anitas já haviam tomado seus lugares no cenário de chita, os espaços dos músicos estavam definidos, equipes da TV arrumavam luz e som e câmeras e ombros e trilhos. João Ricardo acompanhava tudo de perto, com aquela expressão de calma que às vezes esconde uma tempestade. Milton fazia considerações filosóficas sobre todo o movimento. Ítalo buscava um acordo com seu intestino; Kátia, Emerson, Papi, Brisa, Almeida Júnior e Ígor estavam papeando, uns na recepção, outros não sei onde. Assim que cheguei, vi Papi, Kátia e Brisa, que me receberam com o calor típico d’A Casa. Soube depois que Almeida Júnior já havia aprontado uma das suas, montando nos bastidores um irreverente programa de entrevistas com os parceiros. Não conto que tudo está gravado no celular de Emerson Olivier, porque não gosto de fofoca e porque isso poderia trazer-lhe problemas.

LUZ! CÂMERA! PAUSA

Quando os estômagos já ameaçavam pensar em almoço, mas se contentando com um pacote de chocolate abiscoitado que João Ricardo não queria compartilhar com ninguém, Damien Chemin, o diretor com mais de dois olhos, chamou todos os músicos a seus postos para ajustar luzes e câmeras. Luiz Oliva conferiu as vozes cantantes e as dos instrumentos. Instantes ricos: além de músicas do repertório ensaiado, a turma d’A Casa encheu o ambiente de samba e outros ritmos. Show antes do show. Estava tudo quase pronto. Faltavam o traveling e um pouco de comida. Agora eram 13h15. Parada para almoço tendo 14h30 como hora marcada para a volta. Ítalo foi a sua casa fazer apenas um mimo ao estômago, Kátia e Papi ficaram na TV e se limitaram a um lanchinho. Talvez Milton e Almeida tenham comido mais que JR, mas não provocaram o escândalo que provocou o prato de João. Aliás, aquilo mais parecia o Pico do Fogo, em Cabo Verde, pronto para erupção. No caminho de volta, reparti igualitariamente a sobremesa entre os moços, salvos assim do monopólio chocolárquico do chefe d’A Casa.

DEPOIS DO ALMOÇO - LUZ! CÂMERA! CANÇÃO

Chegando 10 ou 15 minutos depois do combinado, o exigente João Ricardo não se permitiu reclamar dos outros. Esperamos Ítalo com as roupas de quase todos e... Brisaaaa! Em que país teria ido almoçar a moça do pandeiro? Milton buscava suavizar ainda mais a voz para responder a João, pela sétima vez, que Brisa estava chegando. O fato é que nós mulheres sabemos, e os homens também: do almoço, sim, mas mulher não chega nunca do cabeleireiro. E era no cabeleireiro que a Brisa soprava (não resisti à brincadeira). O fato é que ela chegou e de cabelo pronto (sim, porque às vezes o penteado desagrada, e moças temperamentais se despenteiam assim que encontram o primeiro espelho). Brisa estava ali, todos se vestiram, foram depois maquiados por Kátia e se puseram em cena. Todos? Brisaaaa! Calma. Ela apenas esqueceu o pandeiro. Em casa ou no cabeleireiro? Não importa; ela já volta. Mais trilhos e traveling também estavam chegando; havia tempo. Kátia volta ao camarim para trocar os brincos; ajeito uma alça aqui, um cinto ali... Ítalo estatuou-se a princípio, depois passou o olho várias vezes na cola — João Ricardo, como sempre, arrumou-lhe falas além das músicas —, confirmou com Kátia alguns movimentos e se alimentou do carinho contido numa pedrinha que ganhara num dos shows de lançamento do primeiro CD. Àquela altura seu sorriso estava fácil, o corpo já se entregando à música de dentro.


Hahaha! Preciso dizer: quando vi, na tela de um monitor, o cenário prontinho e os músicos com os seus instrumentos, exclamei quase acreditando: A Casa do Zé está no programa do Rolando Boldrin! Emerson se arrepiou por ter pensado o mesmo. PoiZé...

BLOCO 1

Lá pelas 16 horas, claquete! Antes disso, Wender entrou em cena, com uma ação maldosa, que se repetiria centas vezes até o final do trabalho: desligar o ar-condicionado. Silêncio! Agora era para valer, e A Casa foi de trem com Villa-Lobos, mas somente depois do café com pão preparado por Manuel Bandeira. A partir daí a turma bateu um bolão. Bola de meia, bola de gude... A brincadeira foi interrompida por uma descoberta perigosa anunciada por Ítalo: "A Casa do Zé descobriu quem pintou a onça!"

Todo o primeiro bloco gravado? Gravado. Vamos para o segundo bloco? Não. Vamos fazer tudo de novo, agora com o intuito de focar cenas importantes para a edição. Não sem antes conferir testas, bochechas, narizes e carecas, enxugar-lhes o suor e cobrir, com uma camada de pó, o brilho que as câmeras denunciam.

BLOCO 2

Almeida Júnior passa a sacola em busca de moeda de um real. Coisa de percussionista que vai acompanhar a história da Dona Carochinha, aquela que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Depois da feijoada em que caiu Dom Ratão, era hora de descobrir que de abóbora faz melão e coisa e tal, pra depois voar nas asas da borboleta de Natal e pousar bem diante dos olhos pretos de Maria Anita.

Tudo gravado, agora já sabíamos: tudo de novo para fazer tomadas específicas.

Antes do bloco seguinte, água para uns (incrivelmente nunca para o vocalista, zeloso com sua  bexiga), lenço de papel e pó facial para outros.

BLOCO 3

Cantaram aquela música pra nenê nanar, mas que é mesmo pra eu chorar, e seguimos o peixinho do mar. Nem tudo pode ser perfeito, apesar de bacana. Corta! Uma inusitada emoção almeidística impediu a entrada do poema de José Paulo Paes. Agora sim, “minha cama é um veleiro...”

(Com corte ou não, fez-se pausa na gravação em outros momentos, num ou noutro bloco, quando o baixo de Olivier foi do contra e quando os cilindros de metal de Almeida Júnior se esqueceram de abrir certa música.)

E tudo de novo para garantir imagens especiais de cada música deste bloco.

BLOCO 4

Cansaço? Sim, mas a dança do sapo contagia todo mundo. Depois, eita nós! A maré tava mesmo pra peixe (adorei ver uns rapazes no estúdio cantarolando e batucando, acompanhando nossa composição), e Damien ainda provocou o grupo pra não deixar o ânimo cair porque a última música era chegada e anunciava a hora: de uma noite de festa. “Deus lhe dê boa noite, dona!”
Antes do fim, hora de repetir as três últimas músicas para a coleção de imagens de que o diretor precisa para a edição. O baixo e o pandeiro também precisam gravar mais uns movimentos.

Agora sim, todos dispensados.

PARA (A) CASA

Passando lenço e pó nos rostos, servindo água, ajeitando roupa, buscando compensar a falta de uma plateia ali no estúdio e nos divertindo muito, assim ficamos Milton e eu até as 20h30, eu creio, quando se encerrou a gravação e teve início o desmonte da cena. Ainda havia um bocadinho de trabalho para os rapazes de ombros largos.

Como será esse dia na tela? Ali, ao vivo, com direito a sentir o suor do artista e acompanhar o movimento dos criativos e empenhados técnicos, achei tudo de uma boniteza só. O show que vi no teatro foi coisa pra criança exigente e adulto sensível. E na tela? Quem assistir ao especial com a A Casa do Zé na TV Aperipê conta pra mim como é que ficou, faz favor.


Texto de Aglacy Mary


Você também pode ler O sapo.

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