terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Prato do dia

Foto: Minha mesmo

O que sabia era que aquele seria um almoço comum na companhia de uma amiga. Evento provavelmente não muito sossegado, pois o restaurante ficava em um shopping, e o horário... bem, era horário de almoço em shopping.
Fui até o balcão do restaurante, fazer os pedidos, enquanto minha amiga ficara guardando nosso lugar à mesa escolhida. Fiz o pagamento. Enquanto esperava o troco, pausei meu olhar no lado direito, observando o movimento comum de pessoas discutindo gostos, escolhendo pratos, comendo. Tudo tão normal e tão tenso... Lembrei-me de que não gosto daquela vitrine, de que não gosto de me ver nela. Virei a cabeça para o outro lado, mas logo voltei a olhar para a frente, para a moça do caixa, que enganchara seu serviço na gaveta que antes abria automaticamente. Algo, porém, fez com que eu quisesse retomar a visão do que havia à minha  esquerda. Não sabia ao certo... voltei-me discretamente, por um segundo apenas, e percebi alguém que me olhava. Ele estava ali, a uns 2 metros apenas. De pé, uma mão no bolso, que eu me lembre. Um charme. Não me lembrava de que já o tivesse visto antes. Sabe quando você não quer entregar-se à curiosidade, mas sabe que não vai resistir? Reconheci o desejo de retribuir o olhar para não me arrepender depois. Queria também identificar detalhes que faziam com que aquela figura me parecesse tão atraente em um simples olhar de clareza duvidosa. Estava disposta a olhar mais demoradamente e confesso uma arritmia temporária. Olhei. E vi. Não restou dúvida. Ele mantinha os olhos fixos em mim, na intenção de dizer algo. Era um Jack Bauer de papelão, tamanho natural, ao lado de um carro cuja marca sei lá qual era.
Nem me lembro do prato que engoli. A seco.


Você pode ler também E o pau comeu.  

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