terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Prefácio para Algibeira Brasileira

Você encontra o livro de André Gusmão aqui


Sem dúvida é uma algibeira o que esse frequente escritor carrega consigo. Sem tranca, sem tampa, cordão frouxo que seja. Os bens que guarda aqui na verdade nos apresentam um homem a abrir a guarda sem medo do flagrante que o revela completamente humano — seguro, frágil, temeroso, imprevidente, esperançoso, destemido, sonhador, impulsivo, cego, lúcido.

André Gusmão costura no corpo, como um saco preso à roupa, toda a sua bagagem. Carrega em suas andanças os constantes apelos à felicidade, que, por vezes, talvez ainda pense encontrar no outro. “Ela tinha o amor estampado na cara”, mas ele desconfia de que seu “espelho” o traz de volta a si mesmo, à compreensão de sua história. Conhecendo-se mais, torna inesgotável sua capacidade de sentir o outro e de se fazer percebido.

Ao leitor de Algibeira Brasileira é dada a força das verdades do autor, de seus confessos tropeços, de seus comemorados soerguimentos. Isso não e tudo, porém. André brinda seu público com a beleza das imagens forjadas por um discurso que se desloca — durante o tempo em que amealha ideias e sentimentos — de um português nascido nos sonhos cultivados em terras brasileiras para a mesma língua em velhas vestes, sotaque de além-mar.

Aglacy Mary 

Um comentário:

  1. E eu nao tinha visto isso! Nossa, que honra! Postado no dia do meu aniversário!

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