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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sensibilitas.atis


levei minhas sensibilidades
para tomarem sereno.
pensei em baixar a resistência
de algumas aptidões,
enfraquecer umas tendências,
fragilizar certas disposições,
abalar capacidades.

mas esqueci de que gotas
de sereno são como
golpes de ar e vento fresco
nas costas: males que moram
na crença de vó Zide.
agora resta torcer: que as
tais sensibilidades contraiam
um vírus e caiam de cama.

o fato é que todas elas
continuam aqui, à flor
da minha pele. e o sereno
se deu a animar
um pé de vida. um não.
dois. dois pés boêmios,
que já tirei pra dançar.



Você pode ler também O breu que é meu.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

De pedra


esperas são feitas 
de pedra.

pedra na vidraça
do primeiro amor.

pedra no dedo
pra quem dá valor.

pedra chorada
na concha do mar.

pedra no prato
do feijão por catar.

pedra no líquido que
o sangue despreza.

pedra no meio 
do caminho do poeta.

minha espera depedra.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Porção extra de lume


no retrato da sala,
ele viu
a muda de lume
que carrego cá dentro,
no lado meio esquerdo
da vida,
pro caso de o ocaso
se acender mais cedo
em mim.

não que eu precise
de tempo.
a poesia,
em sua falsa calmaria,
é quem quer
mais horas em meu peito.

por isso vamos,
meu amor,
ajustar
agora mesmo
as cortinas do sol.

Confissão


eu me confesso.

gosto deste manto
escuro
que me cobre o corpo
desde em volta dos olhos
até onde o chão quase
me toca.

eu me confesso.

assenta-me bem
a longa veste
de noite sem lua
sob coroa de crespos
que exibe da nobreza
o título.

eu me confesso.

guardo em mim,
de Da Vinci,
Newton e Goethe,
toda a paleta.
confesso. sou tudo.
sou preta.

sábado, 13 de setembro de 2014

Uma coisa e outra


vez ou outra
palavra é distância.

prefixo
que divide
carnes.

verbo
a encarcerar
desejo.

som
que desarma
rima.

o verso,
o mesmo
que fere
e desilude,
desde antes
faz correr
sangue
nas veias.

é palheta
em corda
de alaúde.


vez ou outra
palavra é encontro.

Em caráter de urgência


entre o domingo
e a segunda,
moram
duas pressas minhas:
uma
de ser mais feliz,
outra
de ajeitar as unhas.

sendo imponentes
os dois quereres,
reivindico
a quem de dever:
desenhe
no calendário
aquele
esquecido dia,
o oitavo da semana.


tenho dito.