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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Vida de alpendre

Eu brincando de desenhar com parcos recursos

Há perigos no ter a alma no alpendre,
mas é bem ali que está o viver.

Do alpendre
ideias se podem adentrar
em cozeduras de mim.
Do alpendre
elas se podem espraiar,
ir além do jardim.

Do alpendre a alma se prende e chora.
Do alpendre ela se engrama e ri.

domingo, 3 de novembro de 2013

Depois do quase se perder

 

Foto minha: Palacio de los Leones en la Alhambra
 
Carrego,
no dedo que indica,
uma fita vermelha
em nó de cetim.

Não é por acaso.

É mesmo pro caso
de eu me esquecer,
de novo,
de me lembrar
de mim.

sábado, 2 de novembro de 2013

Encontro a guincho


Desconfiei.
As rodas andavam
a me alimentar inveja
da velocidade dos jabutis.

Travaram.

Puseram-me para o lado
de fora da caixa
e me deram o tempo do zelo
por gestos
e verbos
na calçada da espera.

Por testemunhas, 
as estrelas 
de uma ordem inteira 

de gente da lei.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

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Foto: eu mesma | Palacios Nazaries Alcazaba

Ali,
depois da dúvida
que pouco sabe do quanto
um corpo é capaz de suportar
a perseguição do irresolvível,

mora um fato.

Certeza feita de 
altas doses de morfina,
dispensáveis 
daqui a poucas batidas.

Você também pode ler Outra cisma.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Adiantum

Foto: maosaterra.blogspot.com
Salve as avencas
de meu primeiro jardim
e a impermeabilidade
de suas folhas, 
que não se begonizam
sob as águas
que por sobre si deslizam.

Salve, das avencas,
seu jeito dado
de se esporar
em beirices d'água,
em terra escarpada
e subidas palmeiras.

Mas não sem exigências:
molhitude moderada
e atravessada claridade.

Ou as mãos sabidas
de dona Lucy.


Leia mais um pouco: Off/On.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Ornato


O tato me diz 
que tudo está 
certo,
que tudo está 
crespo,
enrolado,
preto, 
belo.

O tato confirma:
todo fio tem ornato. 
Tudo é volta,
parafuso, 
caracol 
em fino trato.

Meu tato
é extensão.
Mão da mãe 
guardada no tempo.
Desembaraço
de linhas,
desnovelos
de constrangimento.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Em memória


Cisco grosso. 
Invade os dois olhos
e faz doer 
como farpa de madeira
intrometida 
entre carne e unha.

A ciscaria veio
com a nota breve 
e desmusicada: 
Ela morreu.

Agora tudo se limita 
à irrevogável sombra.
Com cheiro de cimento novo
e velhos amigos
de boas memórias.

Se quiser ler mais, Tô de frase.