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sábado, 13 de setembro de 2014

Uma coisa e outra


vez ou outra
palavra é distância.

prefixo
que divide
carnes.

verbo
a encarcerar
desejo.

som
que desarma
rima.

o verso,
o mesmo
que fere
e desilude,
desde antes
faz correr
sangue
nas veias.

é palheta
em corda
de alaúde.


vez ou outra
palavra é encontro.

Em caráter de urgência


entre o domingo
e a segunda,
moram
duas pressas minhas:
uma
de ser mais feliz,
outra
de ajeitar as unhas.

sendo imponentes
os dois quereres,
reivindico
a quem de dever:
desenhe
no calendário
aquele
esquecido dia,
o oitavo da semana.


tenho dito.

Opção amanhecer


às vezes
a noite
é vazia
a lua
é cheia
e a poesia
meia

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Semipronto

Do mirante da Treze de Julho

gosto
do pedaço indefinido
de você

que mais me faria ficar
que mais me faria insistir
senão
o ato de supor
o exercício de procurar
a tentativa de descobrir
o prazer de inventar

gosto
do pedaço
do indefinido
de você

Dúvida

Foto do meu amigo Manu Feio | Cidade de Águeda, Distrito de aveiro

a incerteza 
que nos rege
é a mesma
do rijo do chão,
que dorme e acorda
sem saber
em que trecho 
de pedra sua
vai pingar
a próxima porção
de chuva

é nesse gotejar
de surpresas
que vive 
a poesia,
que me salva
um pouco,
todo dia

Lacunosamente


pior seria
se me soubesses 
toda

melhor assim:
eu me rascunho
tu me tentas
adivinhar

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Meio dada


Gosto  de gente.
Em pouca e muita quantidade.

Gosto dos gritos anônimos,
das alegrias bobas em mesas na areia,
das lágrimas de colírio no canto da festa,
do esforço dos encontros forçados
e até das queixas que me alugam os cotovelos
e me põem palitos nos olhos.

Mas também não gosto de gente.
Então fecho a porta e ouço a minha música.